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O escritor publicará em novembro "El tango de la guardia vieja", o seu 14º romance
12/07/2012
Uma história de amor perigosa e turva, apenas três encontros em 40 anos em episódios históricos, e a vida do séc. XX que os envolve e determina os seus rumos. Esses são os traços gerais da novela que Arturo Pérez-Reverte publicará no dia 21 de novembro com o título El tango de la guardia vieja (Alfaguara). É o 14º romance do escritor e acadêmico que, para além de narrar os amores breves e interrompidos entre uma jovem rica e um cantor de tango, com o séc. XX como fundo, “tem como grande tema a maturidade”, adianta a sua editora, Pilar Reyes.
O romance tem vários dos elementos que caracterizam a obra do escritor de Cartagena: intriga, aventura e recriação de cenários e acontecimentos históricos investigados a fundo. E o autor volta com um elemento característico da sua prosa, acrescenta Reyes: “A criação de personagens poderosas, em especial os protagonistas, com seu poder cativante, que o leitor vê progredir ao longo de suas vidas, tanto física como mentalmente”.
É uma espécie de tríptico de amor e História que Pérez-Reverte está terminando de escrever. Um homem e uma mulher casada que se conhecem aos 20 anos na Buenos Aires de 1928, no período entre guerras, onde sucede uma aposta entre dois músicos; voltam a se encontrar na Riviera francesa em 1937, no meio de um assunto de espionagem durante a Guerra Civil espanhola e dos ventos da Segunda Guerra Mundial. E finalmente, na Sorrento de 1966, numa inquietante partida de xadrez com a ressonância da Guerra Fria e do Vietname.
Uma aventura dupla, a que ocorre na ficção e a da escrita, às quais Pérez-Reverte acrescenta uma terceira: a interessante publicação na Internet de um caderno de anotações na página novelaenconstrucción.com. Uma bitácula com texto e fotos que é uma grande janela que Pérez-Reverte oferece ao leitor para que entre na cozinha e no interior da obra em curso, do processo de criação, das perguntas que são feitas, das dúvidas, da investigação, das suas reflexões sobre o ato de escrever e sobre o próprio romance. São mais do que "anotações”, como ele as chama. São como pinceladas de um quadro a cuja criação o leitor assiste de forma privilegiada.
O projeto se iniciou a 20 de Abril desse ano, e na sua primeira entrada dá pistas tanto sobre este caderno digital como sobre o romance: "Seguirão nos próximos meses, sem método nem periodicidade fixa, algumas das minhas breves notas sobre o trabalho em curso. Se trata de um romance histórico, iniciado a 7 de janeiro de 2011 (ainda que a sua origem seja muito anterior) que, pouco a pouco, parece se encaminhar para o seu trajeto final".
Na última entrada, do passado dia 4 de julho, precedida de uma fotografia de um hotel, disse: “Niza. Preparando uma cena e um diálogo no bar do hotel Negresco, com anotações que incluem um croqui do local. Nem sempre é prudente confiar na memória. Chegado o momento de teclar estarei longe daqui, e então poderá ser útil algum detalhe de que não me tenha apercebido ou que tenha esquecido (lâmpadas com aplicações de bronze nas paredes forradas de madeira, bancos altos no bar, assentos forrados a veludo, balaustrada de madeira no piso de cima onde há mesas, tapeçaria junto à entrada: O Tempo encadeado pelo Amor). Os meus passos, como os das personagens, são silenciados pelo carpete. Talvez este seja um bom local para referir algum coquetel (ou cocktail, tenho de decidir a forma de escrever, porque estamos em 1937) que estivesse na moda naquele outono: Bronx, Riviera, Sherry-flip. Enquanto converso com o barman, ao balcão, do outro lado da porta giratória e janelas vejo a rua e a Promenade. Imagino ali, estacionado, um potente Packard encarnado com o motorista (mecânico) encostado ao capô, esperando”.
Mas também há confidências do mundo interior de um escritor, como no dia 24 de junho: “Há poucas sensações tão agradáveis como dormir pensando na cena do romance que escreverei no dia seguinte, sempre que essa cena está clara. Sabendo exatamente o que desejo contar, e como o fazer”. A 12 de maio escreveu: "Nem sempre as imagens ou as palavras passam facilmente da cabeça para o papel. Escrever é um recurso contínuo à ferramenta adequada. A mais ferramentas, mais possibilidades. Mais eficácia. Quando era jovem e apenas leitor, julgava o castelhano, ou espanhol, a língua mais rica e perfeita do mundo. No entanto, ao fim de quarenta anos enfrentando o problema de contar as coisas por palavras, se compreende que nenhuma língua é perfeita."
Dentro das descobertas que Pérez-Reverte partilha, há uma que diz respeito aos protagonistas, e fascinará os leitores. Está precedido por uma imagem: “Poderiam ser o compositor Armando de Troeye e sua esposa, Mecha Inzunza, em 1928, quando faltam poucos dias para que embarquem no transatlântico Cap Polonio. Ambos prestes a viajar para Buenos Aires para que De Troeye componha o seu famoso tango, peça fundamental do desafio contra o bolero do seu amigo Maurice Ravel. Esta capa contemporânea da revista “Blanco y Negro”, da autoria do grande Penagos com o seu estilo inconfundível (todas as mulheres da época queriam se parecer com as que pintava Penagos, mas nenhuma conseguia), reflete muito bem o ambiente da época. Os cenários e as personagens do primeiro terço do romance”.
E assim, entre idéias, confidências e reflexões, transcorre o diálogo no qual Arturo Pérez-Reverte faz os leitores participar no “El tango de la guardia vieja”, antes da sua publicação em novembro, antes que volte de vez ao séc. XX através da perigosa e turva história de amor entre Mecha e Max, em três momentos importantes da História.
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